Covid-19: Mais de 200 casos e 23 mortes são confirmadas entre índios Xavantes

Somente na aldeia São Marcos, localizada em Barra do Garças, há 143 indígenas contaminados pelo novo coronavírus e 13 mortos em decorrência da doença.

Por Kessillen Lopes, G1 MT 10/07/2020 - 18:57 hs

A etnia Xavante tem 209 índios contaminados pelo novo coronavírus e 23 mortos em decorrência da Covid-19, conforme dados do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), divulgados nessa quinta-feira (9). Outras nove mortes estão sendo investigadas.


Evolução de casos confirmados e óbitos por Covid-19 entre Xavantes até essa quinta-feira (9)
 Foto: Dsei Xavante/Divulgação

 
Do total de casos confirmados da doença, sete pacientes estão hospitalizados. Outros fazem tratamento em casa.
 
Os índios Xavantes estão espalhados entre os seguintes municípios: Água Boa, Nova Nazaré, Ribeirão Cascalheira, Canarana, Barra do Garças, Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, São Felix, Santo Antônio do Leste, Campinápolis, General Carneiro, Novo São Joaquim, Poxoréu, Paranatinga.
 
A população total é de 22,3 mil índios, segundo o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena.
 
Somente na aldeia São Marcos, localizada em Barra do Garças, há 143 indígenas contaminados pelo novo coronavírus e 13 mortos em decorrência da doença.
 
De acordo com o Dsei Xavante, os primeiros casos entre Xavantes começaram a surgir no dia 21 de maio.
 
Já o primeiro óbito devido à doença foi no dia 19 de junho. Um bebê de oito meses que vivia com a família na aldeia Marawãitsédé, em Alto Boa Vista, foi internado em 10 de maio com problemas respiratórios graves e suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Ele foi intubado, mas o quadro de saúde agravou e a criança não resistiu.
 
Ele foi também a primeira morte em decorrência da Covid-19 registrada entre índios no estado.
 
Atendimento de saúde para os Xavantes é precário — Foto: BBC/ ADRIANO GAMBARINI/OPAN
Atendimento de saúde para os Xavantes é precário — Foto: BBC/ ADRIANO GAMBARINI/OPAN
 
A Operação Amazônia Nativa (Opan) afirma que o velório e o enterro da criança podem ter causado "transmissão descontrolada" do novo coronavírus na região.
 
Esse descontrole e a subnotificação, segundo a instituição, podem dificultar ainda mais o combate ao vírus entre os indígenas Xavante, que possuem uma estrutura precária de atendimento à saúde.
 
O Dsei informou que, para atender os mais de 22 mil indígenas Xavantes, há apenas 28 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSIs).