Morre liderança caiapó Paulinho Paiakan, vítima da Covid-19

Nos últimos anos, Paiakan continuou ativo em sua luta de proteção à Amazônia, e expressava sua preocupação sobre a opinião do presidente Jair Bolsonaro, que defende a mineração e a exploração agrícola em terras protegidas.

Por Reprodução 17/06/2020 - 19:05 hs

Um dos mais emblemáticos defensores da Amazônia, o líder indígena Paulo Paiakan, morreu em decorrência do novo coronavírus, segundo informações de ativistas divulgadas nesta quarta-feira (17).

O cacique Paiakan, que ganhou fama mundial por liderar a luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte na década de 1980, morreu na terça-feira em um hospital na cidade de Redenção, no norte do Pará, de acordo com Gert-Peter Bruch, fundador da ONG Planeta Amazônia.

Paiakan "trabalhou a vida inteira para construir alianças em todo o mundo com o objetivo de salvar a Amazônia", disse Bruch à AFP.

"Ele estava muito à frente do seu tempo. Perdemos um guia muito valioso", acrescentou.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) manifestou-se sobre a perda.

"Seu legado deixa na história e na vida dos povos uma construção de muita força", afirmou em comunicado a entidade.

O Distrito Sanitário Especial Indígena declara que o enterro de Paulinho Payakan não terá manuseio do corpo. É um costume da cultura Kayapó que, durante um enterro, o corpo do indígena passe por um ritual fúnebre e receba pinturas. O procedimento traria risco de contaminação para outros membros da tribo.

Em 1992, Paulinho Paiakan foi acusado de ter estuprado a estudante Sílvia Letícia da Luz Ferreira. Ele ficou preso até 1994, mas acabou solto por falta de provas. Quatro anos depois, após um recurso do Ministério Público, Payakan foi condenado a seis anos de reclusão em regime fechado. 

Paiakan, que tinha cerca de 65 anos, era um cacique do povo Kaiapo, do norte do Brasil.

Ele foi responsável por alianças com outros povos indígenas, ativistas internacionais e até mesmo celebridades, como o cantor Sting.

Ele foi um dos organizadores do Encontro de Altamira, que reuniu aqueles que eram contra a construção do complexo hidrelétrico. O movimento ajudou a convencer o Banco Mundial a retirar recursos para Belo Monte, embora o projeto tenha sido retomado em 2011.