Teca conquista o Araguaia

Por Inácio Roberto - Interativa-FM 08/12/2019 - 17:59 hs

GUA BOA/CANARANA - A plantação de Teca tem atraído a atenção, desde que a Companhia do Vale do Araguaia se instalou na região. O enorme investimento iniciou em 2.006, com o plantio de mais de 1.000.000 de mudas. A área já chegou aos 6.400 hectares entre as fazendas São Jorge e São Tomás em Água Boa e Santa Terezinha em Canarana. 

Além disso, a Teca também foi implantada em pequena área nos municípios de Mozarlândia/GO e Cuiabá, Mato Grosso. Segundo o engenheiro florestal responsável pelo projeto, Flavio Siqueira D’Ávila, a região Araguaia foi escolhida para desenvolver o projeto, principalmente pelas questões climáticas adequadas a cultura. Este clima é perfeito para o desenvolvimento da Teca.

A árvore é exótica, natural do sudoeste asiático, em especial em países como Índia, Tailândia, Mianmar, Camboja, Vietnã, Indonésia, Malásia e Laos. A Companhia do Vale do Araguaia surgiu em 2005 para atuar na produção sustentável de madeira teca (Tectona grandis). As fazendas ocupam uma área de 9.900 hectares, onde estão os plantios de teca e as áreas de preservação da vegetação nativa, convivendo em harmonia e tendo a fauna e os recursos hídricos devidamente protegidos.

Depois da primeira fase de desenvolvimento das mudas, iniciou a primeira colheita de madeira, através dos desbastes, que foi gerando a primeira renda do projeto. Serão 4 desbastes até a colheita final das toras de teca que irão para a indústria moveleira. Mais tarde, a Companhia partiu para a instalação de um viveiro, em uma propriedade no PA Jatobazinho, onde as mudas compradas são aclimatizadas e preparadas para o plantio.

A estimativa é que ao final do ciclo da teca sejam produzidos 150 metros cúbicos de madeira por hectare. Porém, ao longo de todo o ciclo a produção, somando-se os desbastes, chega aos 300 metros cúbicos de madeira por hectare. O ciclo começou com cerca de mil e 1600 mudas plantadas por hectare, mas com o passar dos anos, os desbastes são feitos chegando com 150 a 250 árvores por hectare no final dos 23 anos.

Os primeiros cortes possibilitaram a produção de biomassa (lenha) destinada a secadores e frigoríficos e mourões de madeira, posteriormente tratadas e destinadas principalmente ao setor pecuário. O principal entrave para o desenvolvimento desse projeto de reflorestamento foi a falta de mão de obra, uma vez que a vocação da região era para a agropecuária.

Lentamente, segundo Flávio D’Ávila, foram sendo formados os trabalhadores para as atividades de plantio, manutenção e  colheita da teca. Um projeto social está inserido na Companhia Vale do Araguaia, a contratação de mão de obra de reeducandos, em parceria com o estado. São cerca de 40 trabalhadores beneficiados.

Teca

Teca 5A teca é uma madeira durável, estável e com boa resistência à tração, flexão e a outros esforços, com a vantagem de ser um pouco mais leve que outras madeiras com as mesmas características. A durabilidade, característica marcante dessa espécie, se deve à tectoquinona, uma substância natural contida nas células da madeira de teca que a protege contra fungos e insetos, agindo como um inseticida natural. Ainda que exposta ao tempo, mantém sua integridade e bom aspecto, o que a torna ideal para a produção de móveis de jardim, decks e para uso náutico.

A estabilidade dimensional e a resistência a empenamentos são qualidades reforçadas pelo caucho, uma espécie de látex presente na teca. Essa substância também confere resistência a ácidos e ajuda a proteger as ferragens (pregos e parafusos) utilizadas em móveis ou outras peças e objetos dos efeitos da corrosão, acentuada em áreas de maresia.

Seu alburno é de cor clara e o cerne tem cor dourado brilhante, por isso é conhecida no mercado internacional como golden brown teak. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito procurada para decoração de interiores requintados e mobiliário fino.

Destino da produção

Aqui entra a atividade de Pedro Wagner Galo Zagonel, Coordenador Industrial e Comercial do grupo. Ele já fez visitas a importantes polos moveleiros do sul do país, para oferecer a teca que em breve será colocada no mercado pela empresa. O produto foi muito bem aceito.

Zagonel salientou que a teca produzida em Água Boa e Canarana terá mercado regional, estadual, nacional e mundial. Muita madeira daqui vai para o mercado Europeu e onde houver mercado interessado, avisou ele.

Serraria

Prevendo o início da comercialização da madeira da teca para o mercado moveleiro, a Companhia do Vale do Araguaia está investindo em um parque industrial para a serragem das toras que serão colhidas em breve. A Serraria está em fase final de instalação no PA Jatobazinho. Todo o equipamento necessário para serrar a madeira e transformá-la em blocos e tábuas está sendo instalado. O início das atividades da serraria está previsto para agora, em dezembro após os licenciamentos serem aprovados.

Zagonel ressaltou que a expectativa é de que a Serraria terá cerca de 20 funcionários para atender toda a demanda de teca e eucalipto, que também tem uma área plantada nas mesmas fazendas. A unidade de processamento de madeira vai agregar renda ao investimento.

Incubadora

Outro foco da empresa é fomentar o surgimento de pequenas indústrias moveleiras na cidade. Trata-se de um projeto arrojado, e que deu certo em vários lugares. Para ter indústria de móveis, é preciso ter matéria prima, e essa está garantida, declarou Zagonel.

A ideia inicial é de uma incubadora com pequenas indústrias moveleiras, a partir de pessoas interessadas nesse nicho de mercado. “Com a procura crescente por móveis planejados, tendo teca como fonte ímpar para a fabricação dos móveis, podemos unir o útil ao agradável”, ressaltou.

Essa incubadora está em busca de recurso para adquirir um conjunto de máquinas usadas para a fabricação de móveis. As máquinas teriam uso comum na incubadora. Com a participação do Poder Público Municipal, devem surgir pequenas fábricas de móveis, o que lentamente irá incrementar a indústria moveleira. “Todo projeto começa pequeno, mas já podemos vislumbrar a iniciativa como altamente positiva para gerar emprego, tributos e renda”, salientou Pedro Zagonel. Móveis fabricados a partir da teca são lindos, tanto no tom natural quanto em projetos de grande criatividade.

Robson Proença, Supervisor Comercial, ressaltou que a teca é utilizada hoje para mobiliar aviões, veículos, navios, e para a fabricação de móveis em geral. Ele anunciou para 2020, o surgimento de outro investimento por parte da empresa, uma fábrica de painéis de teca, deck, piso e forro. Hoje a Companhia do Vale do Araguaia possui uma rede de distribuição de seus produtos destinados a construções rurais (cercas), com aproximadamente 18 representantes na região do Vale do Araguaia e Xingu.

A empresa fincou raízes através da teca, criando grandes tentáculos e fomentando o desenvolvimento da região, gerando emprego, tributos e renda. Sempre respeitado todas as diretrizes socioambientais, em reconhecimento a essas práticas a empresa recebeu recentemente um prêmio nacional da Revista Referencia por iniciativas relevantes para a cadeia produtiva da madeira.

Um investimento sério que partiu do princípio que mesmo em uma região sem essa vocação, tudo pode ser feito mediante diligente estudo e aplicado trabalho. (Inácio Roberto/Ascom – Fotografias: Companhia do Vale do Araguaia)