Conclusão da Transbananal é a rota para o desenvolvimento da região de São Félix do Araguaia

Por Eduardo Gomes com A Boa Midia 29/11/2019 - 19:46 hs

Um cartão-postal em movimento. Assim é o lendário Araguaia, que passa ficando diante de São Félix do Araguaia, onde suas águas recebem pela esquerda o rio das Mortes e,  juntos, formam Bananal – maior ilha fluvial do mundo.

Num cenário de deslumbrante beleza, com verde por todos os lados, a população sonha acordada com o asfalto que em breve virá pela Rodovia Transbananal criando um dos mais importantes corredores de turismo interior e uma estratégica rota para escoamento de commodities agrícolas.

A cidade sonha, mas sem tirar a mão da massa. A cada dia ganha mais e mais infraestrutura, enquanto o município, que tem praticamente o dobro da área do Distrito Federal, esbanja em produção e produtividade agrícola e tem um grande rebanho bovino com excelente sanidade.

Esse cenário que mistura beleza, realidade e sonho, tem um senão, que precisa ser superado: a interligação da Transbananal com a malha rodoviária estadual mato-grossense. Esse quê, é a grande bandeira de luta da prefeita Janailza Taveira (SD), que tem um olho na prefeitura e outro na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), na qual exerce uma vice-presidência. A Transbananal é muito mais que uma rodovia para São Félix do Araguaia e Formoso do Araguaia (TO), em seus extremos. É uma rota de integração nacional.Ela encurta o trajeto do Nordeste a Mato Grosso.

A rodovia abre caminho ao terminal ferroviário da Norte-Sul em Gurupi (TO) reduzindo assim distância e preço do frete pra que a soja e outras commodities cultivadas em São Félix do Araguaia e nos vizinhos Luciara, Novo Santo Antônio, Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia, Ribeirão Cascalheira, Querência, Gaúcha do Norte, Canarana, Água Boa, Nova Xavantina, Novo São Joaquim e Campinápolis ganhem um modal de transporte rodoferroviário.  Para o turismo será divisor de época.

A Transbananal é trecho coincidente da TO-500, na Ilha do Bananal, e da transversal BR-242, com 2.312 quilômetros, que liga Maragogipe, na Bahia, a Sorriso, cruzando São Félix do Araguaia. Essa via, além de contemplar regiões turísticas, também atravessa grandes polos de produção agrícola na Bahia, Tocantins e Mato Grosso. 

A pavimentação de 92 quilômetros entre São Félix do Araguaia e Formoso é um projeto consensual entre o presidente Jair Bolsonaro; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas; e os governadores Mauro Carlesse/PTB (TO) e Mauro Mendes (DEM), com amplo apoio político no Congresso, nas Assembleias Legislativas dos estados diretamente interessados e nas prefeituras e Câmaras Municipais da área de influência da rodovia. A estimativa é que a obra comece no próximo ano. O projeto prevê a execução em 36 meses, mas antes que seja aberta a frente de trabalho será preciso concluir a tramitação burocrática junto ao Ibama, Funai e Ministério Público Federal.

Não somente a classe política defende a Transbananal, mas as lideranças indígenas de Bananal, também. Numa audiência pública do Senado em conjunto com a Assembleia Legislativa de Tocantins, no dia 18 de outubro, em Gurupi, os caciques Iwraru Karajá e Baú Karajá, das aldeias Watau e Santa Isabel, respectivamente, e o líder indígena Eli Mairu Karajá, que é professor na aldeia Fontoura Karajá, manifestaram apoio à obra, por entender que ela será benéfica aos povos aldeados em Bananal.

Em São Félix do Araguaia, José Javaé, 75 anos, que vive na cidade desde a infância, mas que mantém permanente contato com seu povo, é defensor ardoroso da pavimentação. “Há muito tempo ouço falar nesse asfalto e espero um dia viajar por ele, junto com meus filhos e netos”, revela. Questionado sobre o posicionamento dos Javaé sobre a Transbananal, responde que seu povo é de pouca conversa e se resume a frases curtas. Falando em sua língua, o ancião indígena revela o sentimento coletivo no seu berço em Bananal: awire (se pronuncia aviré), que quer dizer tudo bem.