Gaspar é o segundo ex-prefeito de Confresa preso por corrupção; Iron Marques foi preso em 2006

Por Olhar Cidade 22/08/2019 - 20:06 hs

O município de Confresa, que fica na região Norte Araguaia, pela segunda vez tem um ex-prefeito por corrupção, à região amarga o título de "vale dos esquecidos". Gaspar Domingos Lazarri que exerceu 3 mandados em Confresa foi preso porque estaria coagindo testemunhas e destruindo provas, segundo a polícia. 

O dinheiro que deveria ter sido utilizado para construção de pontes de concreto em Confresa (a 1.167 km de Cuiabá) era desviado em esquema de corrupção junto à empreiteiras e parte do valor servia para pagar até mesmo as contas pessoais de Gaspar Lazzari (PSD), que foi derrotado nas urnas em 2018 quando se candidatou ao cargo de deputado federal, e obteve 40.470 mil votos.

Lazzari foi preso na manhã de hoje (22) durante a 2ª fase da Operação Tapiraguaia por ter destruído provas após a primeira fase da Operação, realizada em janeiro deste ano pela Polícia Federal.

O delegado Carlos Henrique Dangelo, da PF disse, em entrevista à imprensa, na manhã desta quinta (22), que Lazzari se beneficiava do desvio de recursos públicos para pagar contas pessoais - como de energia, de hospedagem, e até mesmo de cartão de crédito. Todas eram pagas por empreiteiras.

"Identificamos que contas pessoais do ex-prefeito de Confresa eram pagas pelas empreiteiras, que recebiam recurso do Governo Federal e não realizavam as pontes. Comumente se distribuía o que se chama de propina. Além de receber em sua própria conta, na de seus familiares, também em espécie. Há provas neste sentido. Havia contas comuns, como cartão de crédito, energia, hotéis, que ele passava para as empreiteiras pagarem", explica o delegado.

De acordo com informações da Controladoria-Geral da União (CGU), após analisar o material apreendido na primeira fase da Tapiraguaia, já foi identificado o prejuízo potencial de R$ 1,6 milhão em Confresa envolvendo a construção de pontes, escola e unidades de saúde. Em Confresa o projeto era para construir 8 pontes, mas apenas uma foi concluída. 

Prisão de ex-prefeito em 2006

O ex-prefeito de Confresa, Iron Marques Parreira (PSDB), foi preso 05 de abril de 2006 sob acusação de peculato. Além dele, a Delegacia Fazendária prendeu preventivamente também a ex-primeira-dama do município e outros dois antigos funcionários públicos.

Segundo a polícia, quando era prefeito, Iron descontava impostos dos servidores em folha, mas não repassava-os à União. 

Iron foi eleito prefeito em 1996 e reeleito quatro anos depois. Durante o período, foi baleado e sofreu atentado que lhe custou a visão do olho esquerdo. Apesar de não citar nomes, acusou adversários pela emboscada.

Num mandato conturbado, a Câmara Municipal apontou desvio de recursos públicos na ordem de R$ 1,1 milhão do erário. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também teria descoberto desvios de aproximadamente R$ 2,5 milhões nos cofres públicos.

Após os conselheiros pedirem a intervenção do Estado no município em dezembro de 2003, Iron renunciou temendo a cassação.

Todas as prestações de contas do segundo mandato de Iron foram reprovadas pelo TCE, inclusive quando o Executivo passou a ser comandado pelo vice Egídio Lunke (PSDB). Só em 2004, mesmo depois dos escândalos que resultaram na renúncia de Iron, o TCE detectou 32 impropriedades, como abertura de créditos adicionais suplementares sem prévia autorização legislativa (no valor de R$ 3,4 milhões), desvio de R$ 1,4 milhão de recursos do Fundef para pagamentos de outras despesas, emissão de chefes sem fundo, entre outros.

Iron recorreu em liberdade a todos os processos, atualmente ele atende normalmente em uma clínica particular de sua propriedade em Confresa. Ele inclusive foi tema de reportagem no fantástico. Veja reportagem abaixo:

Operação Tapiraguaia 2

A operação de hoje também atingiu o ex-prefeito de Serra Nova Dourada, Edson Yukio Ogatha (PSD), conhecido como "Japonês", e o suplente de deputado federal, Valtenir Pereira (MDB), que segundo a PF era o facilitador para que os recursos federais "chegassem" até as prefeituras.