Mauro rejeita política externa de combate ao desmatamento e anuncia nova plataforma de monitoramento

Por Olhar Direto- Érika Oliveira 12/08/2019 - 01:21 hs
Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

O governador Mauro Mendes (DEM) informou que o Governo do Estado irá apresentar um novo sistema de controle e monitoramente para combater o desmatamento ilegal em Mato Grosso. O assunto foi destaque nos últimos dias no cenário nacional, por conta de declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Alinhado com o Planalto, o chefe do Executivo mato-grossense voltou a endurecer o discurso contra organizações internacionais que defendem a preservação do meio ambiente.

“Eu desafio qualquer estado brasileiro, qualquer região do mundo, que produza tanto alimento e que respeite o meio ambiente como nós fazemos. Ninguém nesse planeta tem moral para falar de Mato Grosso, quando aqui nós estamos preservando em torno de 64% do nosso território e produzindo a maior quantidade de grãos por km². Na próxima semana vamos mostrar talvez o mais avançado sistema de controle e monitoramento para combater o desmatamento ilegal”, declarou o governador, que no início desta semana assinou um termo de compromisso com foco em transformar a Amazônia Legal em uma região competitiva, integrada e sustentável até 2030.

O planejamento, intitulado ‘Carta de Palmas’, foi elaborado em parceria com os governos do Maranhão, Tocantins, Rondônia, Pará, Amapá, Amazonas, Roraima e Acre. O grupo integra o Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e responsável por captar doações para investimentos não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia.

A assinatura da ‘Carta de Palmas’ ocorreu no mesmo dia em que Bolsonaro exonerou o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, sob a alegação de que os alertas de desmatamento - com aumentos de 88% em junho e 212% em julho – haviam sido manipulados.

Segundo o presidente, o Inpe estava “a serviço de ONGs estrangeiras” para desgastar a imagem do Brasil perante a comunidade internacional.

“Queremos preservar sim, queremos cumprir a legislação. Mas aquilo que for legal nós vamos autorizar de maneira célere e rápida para poder permitir o crescimento do Estado. Então, não é americano, não é europeu, não é ninguém que vem meter o dedo na nossa cara”, pactuou Mauro Mendes.

Juntos pelo Araguaia

O discurso de Mauro Mendes em retaliação a Organizações não Governamentais (ONGs) não é uma novidade. No início do ano, durante visita de Bolsonaro a Mato Grosso, no lançamento do projeto “Juntos pelo Araguaia”, o governador garantiu que o Estado tem feito o dever de casa no que diz respeito à preservação do meio ambiente e sugeriu que os ativistas, em sua maioria, eram “financiados por americanos”.

Após a fala de Mendes, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso inflamado contra a esquerda e pela defesa de seu Governo. Com relação ao projeto “Juntos pelo Araguaia”, concentrou-se apenas em dizer que não irá “atrapalhar quem quer produzir” e completou que o programa “é o maior exemplo que podemos dar ao mundo que estamos, sim, preocupados com o meio ambiente, mas também perfeitamente casados com a economia e com o que se desenvolve nesta região”.