Caminhoneiro de MT coloca seios e se assume transsexual aos 66 anos

Heraldo Oliveira Araújo agora se chama Afrodite. Ela já foi casada com mulher duas vezes e tem uma filha.

Por DA REDAÇÃO / MATO GROSSO MAIS 27/06/2019 - 07:30 hs

Homem se assume transsexual, aos 66 anos, e vai colocar silicone nos seios. O caminhoneiro Heraldo Oliveira Araújo passou a se chamar Afrodite e desde 2016 começou a usar hormônios femininos e se vestir apenas com roupas de mulheres, e se comporta o tempo todo como tal, hoje com 69 anos ela vive em Cuiabá.

Afrodite já passou por dois casamentos convencionais no passado, e relata que sempre se sentiu como uma mulher, desde a infância, questionava o porquê de não ter seios, órgãos femininos e não poder usar roupas de meninas.

“Sempre me senti uma mulher no corpo errado. Minha mãe, sempre muito paciente, explicava geneticamente que nasci homem e, como homem, teria um propósito aqui. Aceitei, mas o desejo de ser mulher permaneceu. Desde a infância tinha essa tendência, sentia prazer de me vestir de menina, mas sempre escondi isso das pessoas, pois tentava aceitar que era um homem. Foi difícil disfarçar uma vida inteira. Tirava o sutiã e ficava as marcas, as calcinhas eu descartava após usá-las”, contou Afrodite em entrevista ao site G1.

Ela já foi caminhoneira, cabo do Exército, empresária e eletricista. Mesmo nas missões do Exército e na empresa onde trabalhava, ela usava roupas íntimas femininas e pintava as unhas, fazia as próprias roupas íntimas em uma malharia,onde trabalhava com o pai, em São Paulo.

Casada com uma mulher por 16 anos, realizou o sonho de ter uma filha. “Minha esposa não sabia do meu fetiche, mas eu usava roupas femininas quando ia trabalhar”, disse.

Por volta de 1995, Afrodite se separou e passou a morar com outra mulher, com quem se relacionou por 14 anos. “Quando tive um romance com ela, achei que realmente era um homem, mas na cama precisava inverter os papéis na minha mente. Me imaginava como mulher e a via como homem, mas não deu para continuar com isso”, relembrou.

Hoje Afrodite é bem aceita pelos colegas de trabalho, pela família e até mesmo pela primeira esposa, mas sofreu discriminação por dois irmãos que a ameaçava, após vê-la se tornar uma mulher.

“Éramos sócios em uma empresa de eletrotécnica, mas eles se incomodavam quando eu ia trabalhar de unhas pintadas. Quando me viam de mulher, tiravam fotos e mandavam para a minha filha. Me xingavam, me perseguiam e até tentaram me agredir uma vez. Doei todas as minhas roupas de homem e agora vivo 24 horas como mulher. Algumas pessoas ainda me olham ‘torto’, mas precisamos entender que somos iguais, somos seres humanos. O preconceito está na própria pessoa”, pontuou. lamentou.

Afrodite nunca se relacionou com homens, ela fala que não consegue assumir relacionamentos com ninguém. “Não me relaciono com ninguém. Tenho amigos homens, gays, a gente faz brincadeiras, mas não conseguiria chegar às vias de fato. Estou fazendo consultas com uma psicóloga. Ela disse que preciso me abrir mais para ter um relacionamento, agora estou tentando”, contou.

Afrodite viaja em um caminhão de vestido, de salto alto e maquiada — Foto: Shell/Divulgação

Antes de virar Afrodite, Heraldo já foi cabo do Exército, empresária e eletricista, além de caminhoneira — Foto: Shell/Divulgação