Mais de 150 índios têm cartões retidos por golpistas no Araguaia

A polícia estima, por baixo, que o grupo conseguia pegar R$ 100 mil mensais das vítimas. As investigações apontam que os suspeitos emprestam dinheiro para os indígenas, cobrando juros de até 40%.

Por G1-MT 24/03/2019 - 22:11 hs

Mais de 150 índios xavantes tiveram cartões retidos por golpistas na região de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. O crime foi descoberto pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Barra do Garças. Uma operação, nessa quinta-feira (21), apreendeu mais de 370 cartões, documentos e itens dos indígenas.

A polícia estima, por baixo, que o grupo conseguia pegar R$ 100 mil mensais das vítimas.

Nenhuma pessoa foi presa, mas a polícia continua a investigação para localizar a quadrilha. Foram seis meses de investigação a partir de denúncias e relatos dos próprios índios.

De acordo com o delegado, foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliares nas residências dos suspeitos.

Foram encontrados 135 cartões bancários com senha dos indígenas, incluindo do programa federal bolsa família, além de 242 documentos pessoais e oficiais dos índios, como carteira de trabalho, RGs, CPF e título de eleitor.

Em uma das residências foi encontrado ainda duas máquinas de cartões, as quais eram utilizadas para passar os cartões dos índios, indo o dinheiro diretamente para a conta bancária de um dos suspeitos, sem que precisassem ir até o banco para sacar os valores.

As investigações demonstram que os suspeitos emprestam dinheiro para os indígenas, cobrando juros. Como garantia de recebimento, os golpistas ficavam com os cartões bancários e com as senhas.

O grupo somente devolvia aos índios quando recebiam o valor emprestado, com os juros exorbitantes.

Mais de 150 índios têm cartões retidos por golpistas em Mato Grosso — Foto: Ivan de Jesus/Centro América FM Mais de 150 índios têm cartões retidos por golpistas em Mato Grosso — Foto: Ivan de Jesus/Centro América FM

Mais de 150 índios têm cartões retidos por golpistas em Mato Grosso — Foto: Ivan de Jesus/Centro América FM

Ainda conforme o delegado, neste período o indígena ficava sem nenhum controle do recebimento de salário, aposentadorias e benefícios que recebem.

Como precisavam de dinheiro para sobreviver, voltavam novamente aos suspeitos, alimentando o ciclo de empréstimos.

O delegado afirma que esta pode ter sido a maior apreensão de documentos e cartões bancários de indígenas em poder de agiotas em Mato Grosso. O nome da operação A' UWE, significa povo xavante na língua indígena.