Índios protestam em São Félix do Araguaia contra decisões do governo Bolsonaro

Por O Repórter do Araguaia 01/02/2019 - 08:13 hs
Foto: O Repórter do Araguaia

Na tarde desta quinta-feira, 31, Indígenas realizaram atos contrários as medidas do governo de Jair Bolsonaro (PSL) em São Félix do Araguaia - MT. A manifestação foi na Avenida Araguaia, em frente o prédio DSEI/Araguaia no Caís da cidade. O ato faz parte de uma mobilização nacional contra a municipalização da saúde indígena, as anulações da mudança de administração da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, da extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), e da PEC 215, que transfere do Executivo para o Congresso Nacional a aprovação da demarcação de terras indígenas no estado. “Sangue indígena, nenhuma gota a mais".

Cerca de 100 índios estiveram no local portando cartazes e protestando com cânticos, danças e gritos de guerra. Kohalue frisou que desejam diálogo com o governo “Não nos sentimos seguros depois dessa paralisação de demarcação de terras. Queremos respeito, que a Constituição seja respeitada. Nós sempre vamos continuar indígenas, mesmo com a mentalidade de Bolsonaro temos que manter nossa identidade, língua, raízes. O nosso modo de ser é único”, completou.

 

Durante o ato lideranças discursaram em frente o prédio DSEI/Araguaia, ambos reivindicando os seus direitos conquistados, que segundo eles, são atendidos pelo SUS no sistema Federal, e tem suas saúdes vista com mais atenção, e gera receita para o município, uma vez que os recursos são destinados para o município, com a saúde municipalizada temem que não sejam atendidos da mesma forma, pois de acordo com a maioria das lideranças indígenas, com a saída da Funai do Ministério da Justiça, e distribuída em outros ministérios, todas as reivindicações demorarão muito mais para serem atendidas, por esse motivos pedem que o Governo Federal reveja essa posição, pois estão sendo duramente castigados com essa mudança.

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Segundo Bissohana Karajá a garantia de território é a principal bandeira dos povos indígenas. Trazer a demarcação para o Mapa é uma demonstração clara do governo que não vai mais realizar demarcações, porque está entregue nas mãos do agronegócio. O MJ é o órgão que tem preparo e estrutura para fazer estudos e demarcações. O compromisso do Mapa é com o agronegócio”, apontou.

 

Já para Samuel Karajá ressalta a luta pelos direitos conquistados por eles, não pode ser ameaçada. “Trazer a demarcação para o Mapa é uma demonstração clara do governo que não vai mais realizar demarcações, porque está entregue nas mãos do agronegócio”, disse Samuel.

Curerrete Waritirre cobrou a presença de mais autoridades do município, disse que a sociedade precisa mudar o discurso preconceituoso contra os indígenas. “Não atrapalhamos o progresso do País, não somos improdutivos e nem preguiçosos, como infelizmente muitos insistem em nos taxar. Isso não é verdade. Índio trabalha sim, produz e pode fazer mais, se tiver apoio e a garantia de seus direitos” ressaltou.

Encerrando a manifestação, os indígenas realizaram uma caminhada pelas avenidas e ruas da cidade, onde o vereador Antonio Miranda esteve presente acompanhando os indígenas e dando total apoio aos mesmos.