Medeiros diz que cassação é “patifaria” e quer recorrer para continuar no Senado

Medeiros diz que cassação é “patifaria” e quer recorrer para continuar no Senado

Por Eduarda Fernandes-RDNews 01/08/2018 - 22:23 hs

O senador José Medeiros (Podemos), que teve o mandato cassado nessa terça (31), promete recorrer da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ele viajou para Brasília no início da manhã desta quarta (1º) para reunir-se com sua banca de advogados e avaliar o próximo passo. Mesmo a decisão sendo taxativa quanto ao seu efeito imediato, Medeiros pode recorrer ao próprio TRE e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conforme o julgamento, a decisão tem efeito imediato, de modo que assim que o Senado for notificado, Medeiros dará lugar à Paulo Fiúza, 1º suplente na eleição de 2010. O parlamentar foi cassado por 5 votos a 2, em um processo que apurou fraude na ata de registro de candidatura daquele pleito. Em um vídeo gravado logo após a decisão ser proferida, Medeiros diz ter ficado estarrecido com a decisão e a classificou como “patifaria”. “Isso é conversa fiada. Isso é uma mentira deslavada. Isso é um argumento furado que arrumaram pra tentar tirar da vida pública o senador José Medeiros”.

Medeiros, que é pré-candidato à reeleição, questiona o resultado do julgamento por ter sido realizado às vésperas do encerramento do período de convenções partidárias. “Portanto, embora tentem, não vão me fazer desistir. Essa palavra não tem no meu vocabulário”.

Entenda

O então candidato Carlos Abicalil (PT), que nas eleições de 2010 ficou em 3º lugar, entrou na Justiça pedindo a impugnação da chapa encabeçada pelo governador Pedro Taques, alegando fraude na ata. Desde então o processo ultrapassou as 3 mil páginas e vinha se arrastando na Justiça, chegando até mesmo a ficar extinta de maio de 2014 a junho de 2016. Na sessão de ontem, o Pleno do TRE foi unânime: a ata foi fraudada.

O relator do caso, juiz membro Ulisses Rabaneda, explanou que foi comprovado que existiram duas atas, ambas assinadas com conteúdo diferente. A 1ª colocava Medeiros na suplência imediata de Taques. Já a outra, trazida pela defesa de Paulo Fiúza, definia o empresário como o 1ª suplente. “A Conclusão lógica é que uma delas é falsa”, disse.

Rabaneda votou por cassar todos os envolvidos e dar posse a Abicalil. Neste ponto, ele foi voto vencido e a cassação foi aplicada apenas a Medeiros, com determinação de dar posse a Fiúza.