Recém-nascida indígena é resgatada após ficar enterrada por mais de 7 horas

Policiais militares foram imediatamente até o local indicado e em conversa com a bisavó da criança, a mesma confessou ter enterrado a menina e indicou o local, alegando que a mesma tinha nascido morta por ser prematura. A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa. A bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família. Por ser um costume da etnia, que fica no Xingu, enterraram a criança sem comunicar ninguém.

Por Jopioneiro de Canarana 06/06/2018 - 13:57 hs

CANARANA – Uma história revoltante e ao mesmo tempo surpreendente e emocionante ocorreu na noite de ontem em Canarana. Uma bebê recém-nascida indígena teria ficado mais de 7 horas enterrada antes de ser socorrida pela polícia após uma denúncia anônima.

Consta no boletim de ocorrência que uma denúncia anônima informou que uma indígena tinha dado à luz por volta do meio dia de ontem, terça-feira (05), e que por volta das 14h00 teria enterrado a criança num terreno baldio ao lado de sua residência, localizada na Av. Paraná, bairro Nova Canarana. O fato chegou ao conhecimento da testemunha por volta das 20h00, quando então comunicou a polícia.

Policiais militares foram imediatamente até o local indicado e em conversa com a bisavó da criança, a mesma confessou ter enterrado a menina e indicou o local, alegando que a mesma tinha nascido morta por ser prematura. A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa. A bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família. Por ser um costume da etnia, que fica no Xingu, enterraram a criança sem comunicar ninguém.

A PM isolou o local, acionou a PC para que informasse a perícia técnica. Na sequência, os policiais, sob orientação da perícia técnica, foram verificar se o óbito estava confirmado e começaram a escavar por volta das 21h00, quando ouviram o choro da bebê, que foi retirada e levada rapidamente para o Hospital Municipal.

Indagada, a mãe também disse que sua filha nasceu morta. Já outro indígena informou que o pai da criança já teria informado a mãe que não iria assumir sua filha e que já estaria morando em outra aldeia com outra índia, podendo isso ter levado a bisavó e a mãe a terem tentado matar a menina.

O major João Paulo Bezerra, comandante da PM de Canarana, participou do resgate juntamente com os sargentos Oliveira e Fernandes, o soldado Henrique e mais dois investigadores da Polícia Civil. Ele descreveu o resultado da ação como “um milagre”.

“Foi um milagre para todos nós policiais que estávamos lá. Todos ficaram estarrecidos na hora. Nós acreditávamos que a criança estava morta, até pelo tempo que havia se passado. Começamos a cavar onde a bisavó apontou e, para nossa surpresa, ouvimos o choro da criança e continuamos a cavar mais rápido para retirar a criança e levá-la diretamente ao hospital”, contou.

A bisavó da criança, que tem 57 anos, foi autuada por tentativa de homicídio. “Nós autuamos a bisavó por tentativa de homicídio. Ela confessou que cortou o cordão umbilical doa bebê e, por não ter chorado, ela acreditou que a menina estava morta. Ela fez o enterro da bebê na cultura deles, sem comunicar às autoridades. Futuramente a avó poderá responder por participação e a adolescente por um ato infracional”, disse o delegado Deuel Paixão de Santana.

A mãe da adolescente e a mãe da bebê foram ouvidas na delegacia e liberadas. A adolescente está com um quadro de saúde debilitado e com hemorragia. A bisavó deve ser apresentada à Justiça em uma audiência de custódia entre esta quarta e quinta-feira (7). A Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanha a situação com a família e a bisavó.

A criança foi atendida pelo Dr. Tiago Bittencourt no Hospital Municipal de Canarana e o médico a diagnosticou com duas fraturas no crânio. Na sequência ela foi encaminhada para o Hospital Regional de Água Boa, onde se encontra com quadro clínico estável, apresentando apenas uma deficiência respiratória discreta. De acordo com a diretora do hospital, Salete Lauermann, estão sendo aguardados os resultados de diversos exames que já foram realizados.