Primo de Taques era responsável por manter contrato em esquema e recebeu R$ 2,6 milhões em propina

Primo de Taques era responsável por manter contrato em esquema e recebeu R$ 2,6 milhões em propina

Paulo Taques, que é ex-chefe da Casa Civil, foi preso nesta quarta-feira (9) em operação que investiga esquema no Detran.

Por G1-MT 11/05/2018 - 00:08 hs
Foto: Mayke Toscano

O ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, que é primo do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), era responsável por manter contrato em um esquema de fraudes no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). Paulo Taques foi preso nesta quarta-feira (9), durante a Operação Bônus, que investiga o desvio.

De acordo com a decisão do desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que determinou a prisão do ex-secretário, ele teria recebido R$ 2,6 milhões em propina.

Além de Paulo Taques, foram presos o irmão dele, Pedro Jorge Taques, o deputado Mauro Savi (PSB), e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo 'Grilo', e José Kobori.

Os irmãos Taques e o deputado passaram por audiência de custódia, tiveram as prisões mantidas e levados para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

Na decisão que manda prendê-los, o desembargador afirma que Paulo Taques mediou a manutenção do contrato entre a empresa usada na fraude e o governo.

A operação é uma continuidade da Operação Bereré, que investiga suspeita de fraudes e desvio de verba do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), segundo o Ministério Público Estadual (MPE), em Cuiabá.

Uma testemunha, ouvida durante o inquérito, afirmou que Paulo Taques recebeu R$ 2,6 milhões em duas parcelas, sendo uma de R$ 1,4 milhão e outra de R$ 1,6 milhão.

Ainda segundo o desembargador, os irmãos Taques "valendo-se do conhecimento jurídico privilegiado que detêm, atuam na órganização criminosa criando engenhosas artimanhas para maquiar o recebimento de propina".

Como justificativa para a prisão de Paulo e Pedro Jorge Taques, o desembargador apontou o foco deles em dificultar a produção de provas a respeito dos crimes por eles praticados.

Operação Bônus

A operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

A primeira fase da Operação Bereré aconteceu em fevereiro deste anoe investigava um esquema que desviou dinheiro do Detran, com o apoio de políticos, por meio de empresas de fachada.

Em nota, o governo diz que o contrato com a empresa EIG Mercados Ltda (antiga FDL), por meio da qual teriam sido desviados recursos públicos do Detran, foi rompido após a primeira fase da operação, em fevereiro, e que "tomou todas as medidas administrativas necessárias para evitar prejuízo ao erário".