Após mudar nome e ser mãe, transexual conquista ouro no vôlei

Por Extra 13/12/2017 - 00:03 hs

 

Aos 28 anos, Camila Emanuele de Araujo Caldas pode se considerar uma vencedora. Na quadra de vôlei e fora dela. A atleta realizou três sonhos: atuar profissionalmente, jogar num time feminino e ser mãe.

 

É que Camila já foi Ramon. Com 5 anos, saiu da Vila Santo Antônio, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para morar em Betim, cidade de Minas Gerais, com a mãe e os irmãos. E foi lá que assumiu a transexualidade, aos 16 anos.

— Dos 12 aos 14, joguei pelo Betim. O vôlei sempre foi minha paixão — confessa.

Tanto que seu time, o Pink Vôlei, foi campeão da Liga de Vôlei do Estado do Rio de Janeiro (Liverj). A equipe bateu o Quissamã, de virada, por 2 sets a 1, no último domingo.

Mas o caminho foi difícil. Aos 16 anos, passou a ser Camila e teve que enfrentar o preconceito. De volta ao Rio, trabalhou vendendo sapatos, bolsas e perfumes. Na sapataria onde era empregada, foi impedida de usar o banheiro feminino.

Aos 19 anos, comprou uma casa no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Mas o amor pelo vôlei sempre existiu.

— Participava de peladas de vôlei na Tijuca, mas meu sonho era mudar meu nome para poder ser tratada como mulher e entrar no time feminino — conta Camila.

Nessas peladas de vôlei, acabou conhecendo o marido, o jogador Arthur Phelippe, com que está casada há quatro anos.

ara completar a felicidade, o casal adotou Joana, hoje com 2 anos.

— Quando adotamos Joana, quis voltar para Caxias para criar minha filha num ambiente familiar — explica a atleta, que tem um salão de beleza e cursa Filosofia.

O sonho de jogar vôlei num time feminino começou a ficar mais real para Camila. Em outubro de 2016, após três anos de espera, ela finalmente conquistou a identidade civil.

Logo depois, foi para um torneio em Minas Gerais, acompanhar o marido. Lá, no estado onde tudo começou, pôde estrear nas quadras como mulher. Na volta para o Rio, a maior conquista. Camila foi convidada para jogar no Pink, onde atua como ponteira no time reserva há quase um ano.

Na adolescência, quando jogou pelo então time Betim, em Minas, Camila lembra de um período difícil. Foi quando o preconceito começou a surgir no espaço onde ela mais gostava: a quadra.

— Assim que comecei a assumir minha transexualidade, percebi uma mudança dentro da quadra. Treinava, mas não jogava, ficava de molho. Até que eu mesma quis sair — afirma a atleta.

A filha Joana é a grande fã. E frequentemente acompanha Camilla nas quadras.

— Ela vai ser jogadora de vôlei — brinca a mamãe coruja.