Riva tramou atentado falso contra si para culpar deputados; ex-presidente nega

Por Eduarda Fernandes e Jacques Gosch_RDNews 30/08/2017 - 21:55 hs

Riva tramou atentado falso contra si para culpar deputados; ex-presidente nega
José Riva é citado como mentor de suposto plano de atentado falso contra ele mesmo

O Irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Antônio da Cunha Barbosa Filho, o Toninho Barbosa, contou, em depoimento prestado em 26 de maio, que o ex-deputado estadual José Riva teria contratado uma pessoa para simular um atentado contra si, autorizando, inclusive, a matar seu motorista e jogar a culpa em Toninho, Silval e nos deputados estaduais Mauro Savi (PSB), Guilherme Maluf (PSDB) e Gilmar Fabris (PSD).

Segundo Toninho, que se tornou delator de esquemas na gestão do irmão, em abril deste ano, ele esteve com Savi no apartamento do socialista, no bairro Santa Rosa, em Cuiabá, a convite do parlamentar.

Se encontraram em frente ao prédio e subiram juntos. Toninho relata que Savi foi direto ao assunto e narrou que tinha recebido uma mensagem via celular de uma pessoa desconhecida que queria falar com ele.

Depois, mostrou a Antônio uma série de mensagens no WhatsApp. O remetente desconhecido dizia que tinha um amigo em comum com Savi e que, há cinco anos, o deputado o teria ajudado, por meio de um advogado que o tirou da cadeia. Essa pessoa falava, ainda, que havia recebido uma encomenda para “simular um atentado contra o senhor José Riva, ex-deputado estadual, e que teria sido contratada pelo próprio José Riva”.

Ainda de acordo com Antônio, nas mensagens, a pessoa relatava já ter recebido metade do valor combinado pelo serviço, sem especificar o quanto. “Que essa mesma pessoa narrou a Savi, ainda, que Riva teria dito que, se fosse preciso, era para matar o motorista e jogar a culpa nas pessoas do declarante (Antônio), Silval, Savi, Maluf e Fabris”.

Após mostrar as mensagens para Antônio, o deputado teria dito que procurou o governador Pedro Taques (PSDB) e reportou a situação. O tucano teria mandado tomar proviências. Não é informado quando o deputado procurou o governador. Diante disso, o deputado teria tratado a situação como finalizada.

No depoimento, Antônio declarou que gravou a conversa com Savi e apresentou um arquivo de mídia contendo um áudio da conversa, bem como as mensagens com conteúdo de que revela suposta ameaça contra sua vida.

Pedro Taques confirma a reunião com Savi citada na delação. “Sim, isso é fato. Eu fui procurado pelo deputado Mauro Savi, isso é fato. Imediatamente chamei o secretário de Segurança (Rogers Jarbas) e está tudo documentado. O secretário de Segurança vai mostrar para vocês todos os documentos”, disse em entrevista à imprensa local, na manhã desta quarta (30).

Ameaça

Em 24 de maio deste ano, dois dias antes de prestar o depoimento, Toninho disse ter recebido mensagens pelo WhatsApp, de uma pessoa que não soube identificar, contendo prints de conversas entre Markin e outra pessoa não identificada, cujo conteúdo dizia: “chefe, a ordem é passar fogo nesse sujeito”, “olha a foto e veja quem é, se é dos meus”, e, em seguida, uma foto de Antônio (Toninho) é enviada. A imagem em questão foi usada pelo irmão de Silval em seu perfil do WhatsApp. A ordem, segundo o remetente, teria partido de Riva.

No dia seguinte, o mesmo remetente entrou em contato questionando se Antônio havia conseguido “levantar alguma coisa” sobre a informação recebida. Relatou que “ele (Riva) contratou um serviço e quis dar um tombo, e aí deu um rolo, e aí a turma sai fora, porém, pode ser que ele contrate outros desconhecidos”, referindo-se supostamente a Riva.

Antônio salvou o contato em seu celular com o nome “Ameaça”. “Ele está desesperado e capaz de fazer qualquer coisa, só não entendi o porquê do seu nome na lista que tive acesso”, teria dito o remetente, ainda em referência a Riva.

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Irmão do ex-governador Silval Barbosa, Toninho Barbosa, durante depoimento

No dia do depoimento, Toninho alega que continuou recebendo os prints de uma conversa entre um contato salvo como “José Riva” e um interlocutor desconhecido. Depois, a seguinte conversa é narrada por ele.

José Riva: “Precisamos conversar sobre o ex-governador e seu irmão e o Mauro e preciso antes de sair da cadeia.

Interlocutor: “É sobre aquele assunto? Perfeitamente, estamos aguardando seu sim”. Na sequência, o tal José Riva e o contato acertaram que “Ricardinho” estaria pronto para atuar e fizeram menções a armas, “uma .40 e 2 380”. 

Como resposta, o interlocutor disse: “Fechado. Em relação ao irmão do ex-governador é pra sentar chumbo nele, é isso. Tenho aqui toda a relação de onde ele anda, o que faz, aonde vai a família, vou seguir o combinado”. Por fim, o tal Riva respondeu: “Se ele desconfiar, acerta ele, senão depois será mais difícil. O Mauro, bem. Também”.

Após enviar as imagens da conversa, o contato salvo como “ameaça” mandou mais prints contendo dados do contato “José Riva”. Antônio disse temer por sua vida e de seu irmão, que à época estava preso no Centro de Custódia de Cuiabá, porque Silval “sabe demais”.

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Outro lado

A defesa de Riva, patrocinada pelo advogado Rodrigo Mudrovisch, esclarece que o teor de todas as conversas mantidas por meio do aplicativo Whatsapp, notadamente daquelas em que lhe foram oferecidos serviços escusos e ilegais, foram entregues às autoridades e são objeto de investigação sigilosa por parte do Ministério Público Estadual.

Neste sentido, afirma que o deputado jamais manteve qualquer tipo de contato com terceiros que envolvesse a integridade física ou moral de qualquer pessoa, nem mesmo através de ação controlada pelos órgãos investigativos do Estado. A reportagem ligou para Mauro Savi, mas as chamadas não foram atendidas.

Confira, abaixo, a nota da defesa de Riva

  • “Em virtude da matéria jornalística veiculada pela mídia local acerca de eventuais ilicitudes praticadas contra a vida de terceiros, a defesa de José Riva vem a público esclarecer que a integralidade de todas as conversas mantidas por meio do aplicativo Whatsapp, notadamente daquelas em que lhe foram oferecidos serviços escusos e ilegais, foram entregues em tempo real às autoridades e são objeto de investigação sigilosa por parte do Ministério Público de Mato Grosso.
  • De toda sorte, em benéfico da ênfase, esclarece que jamais manteve qualquer tipo de contato com terceiros que envolvesse a integridade física ou moral de qualquer pessoa, nem mesmo através de ação controlada pelos órgãos investigativos do Estado do Mato Grosso".
  • Rodrigo Mudrovisch, advogado responsável pela defesa de José Riva