Imagens reforçam tese de escravidão em fazenda de advogado em Mato Grosso

Por Eduarda Fernandes e Bárbara Sá- RDNews 12/07/2017 - 09:12 hs
Foto: Mário Okamura/montagem

 teve acesso, com exclusividade, às fotos do local onde viviam funcionários da Fazenda São Lucas, em Colniza, (1.065 km a Noroeste), resgatados pela Polícia Judiciária Civil na última sexta (7), após uma denúncia de que pessoas eram mantidas em situação análoga à escravidão. As imagens revelam o cenário da moradia, que se mostra diferente do narrado pela esposa do advogado e proprietário da área, Robson Medeiros, Vanessa Santos. E também do relato feito pelo jurista no requerimento endereçado ao Ministério Público Estadual nesta segunda (10).

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Após o resgate, a PJC divulgou que entre as vítimas estava o senhor J.P.R,, 57, deficiente físico e visual, que seria obrigado a dormir próximo a um chiqueiro com ratos que teriam roído sua perna enquanto dormia. Portador de hanseníase, a perna dele aparece uma das imagens com um ferimento na extremidade do membro amputado. As lesões pelo corpo teriam sido ocasionadas por acidentes de trabalho nas fazendas do acusado.

Os policiais constataram que na fazenda há um banheiro com sanitário e chuveiro adequados, porém o local estava trancado com cadeado e corrente, o que obrigaria a vítima a tomar banho de mangueira atrás da casa ou em uma lagoa onde divide o espaço com porcos, bois e cavalos. Entre as imagens que o  teve acesso, há um cubículo de madeira trancado com corrente e cadeado.


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Local onde moravam pessoas resgatadas pela Polícia Civil no último final de semana

A esposa de Robson, nesta segunda, rebateu as informações divulgadas pela PJC e acusou a instituição de ter forjado o flagrante contra seu marido. Neste contexto, ela anunciou que entraria com um processo contra a imprensa da PJC.

Ao contrário da versão da polícia, Vanessa disse que os trabalhadores da fazenda possuíam quarto com banheiro, cozinha com cerâmica, fogão a gás e energia em placa solar, cujo investimento teria sido na ordem de R$ 25 mil.

Ontem, ela se comprometeu de encaminhar imagens dessas benfeitorias ao , mas até o momento nada foi recebido.

HC preventivo

Robson ingressou com um habeas corpus preventivo com o objetivo de evitar ser preso e que sua residência não seja mais “objeto de invasão”, que ele acusa ter ocorrido sem ordem judicial. No recurso, ele também pede a substituição do delegado que conduz as investigações, Edson Pick, e dos demais policiais envolvidos.

O juiz substituto Dante Rodrigo Aranha da Silva indeferiu, no sábado (8), o pedido por entender que “o que tem é a impossibilidade” de concluir que Robson corre risco iminente de ser preso. Ainda assim, determinou que o delegado fosse notificado a apresentar as informações que entender necessárias sobre o caso.